8. Ser Firmes e Inquebrantáveis

“Portanto sabeis que todos os que chegaram a isto são firmes e inquebrantáveis na fé e naquilo que os fez livres” (Helamã 15:8).

Podemos Estabelecer Limites para Proteger a Nós e a Nossa Família

Com frequência nos sentimos divididos entre apoiar nossos entes queridos e estabelecer limites claros para eles. Queremos demonstrar nosso amor por eles e ao mesmo tempo demonstrar nosso amor pelo Senhor. O Élder Dallin H. Oaks nos ajuda a ver que isso é possível e também necessário: “O amor de Deus não suplanta Suas leis e Seus mandamentos, e a eficácia das leis e dos mandamentos de Deus não deprecia o propósito e a eficácia de Seu amor” (“O Amor e a Lei”, A Liahona, novembro de 2009, p. 26). Seguimos o exemplo de Deus ao apoiar nossos entes queridos enquanto honramos as leis de Deus e as leis da terra. Demonstrar verdadeiramente nosso amor pode exigir de nós coisas difíceis, como estabelecer limites, enfatizar as consequências e obedecer leis civis. O Élder Russel M. Nelson ensinou que “o verdadeiro amor pelo pecador pode exigir uma confrontação corajosa — em vez de condescendência! O amor verdadeiro não encoraja um comportamento de autodestruição” (“Ensinai-nos Tolerância e Amor”, A Liahona, maio de 1994, p. 77

Temos a responsabilidade de estabelecer limites, fazer regras e responsabilizar os membros da família pelas escolhas que fazem. Isso não é feito para controlar, mas para ajudar nossas famílias a estar seguras e a diminuir o impacto negativo da dependência. Estabelecer limites e consequências claros pode ser necessário a fim de ajudar nossos entes queridos a encontrar a recuperação e a cura. Muitos cônjuges e membros da família descobrem que quando estabelecem limites e consequências firmes, os entes queridos entendem melhor os efeitos prejudiciais das escolhas e ações deles. Sentir as consequências pode ajudar nossos entes queridos a ter mais motivação para encontrar a cura e a recuperação. Estabelecer limites também vai ajudar a convidar o Espírito para estar em nosso lar e na vida dos membros de nossa família.

  • Como você pode estabelecer limites e também demonstrar amor?

  • Como os limites ou as consequências ajudam um ente querido a encontrar a recuperação e a cura?

 

Como Estabelecer Limites ou Consequências

Ao considerarmos os limites e as consequências que vamos estabelecer para os membros da nossa família, precisamos da orientação do Senhor. Não há uma abordagem certa para todas as pessoas. O Espírito pode ajudar-nos a saber o que é certo para nossos entes queridos e para nós.

Há, no entanto, certos princípios que podem guiar-nos ao estabelecer limites ou consequências para os membros de nossa família. Por exemplo, nossos limites e consequências devem ter como base o princípio do arbítrio — eles devem estar focalizados no que podemos fazer em vez de no que queremos ou esperamos que alguém faça. Eles devem ser inspirados pelo amor, não pela raiva ou punição. Limites ou consequências devem ser claros e específicos. Eles podem envolver um resultado natural das ações tomadas. Podemos começar com limites simples e específicos que podemos implementar: Por exemplo, um lugar adequado para começar é insistir que nosso lar fique livre da pornografia, de substâncias viciantes ou influências negativas relacionadas.

Devemos estar preparados para quando nossos limites forem desafiados e as consequências precisarem ser impostas. Mas podemos manter em mente também que os erros são oportunidades de aprendizado. Portanto, se estabelecermos uma consequência para uma ação, precisa ser algo que estamos dispostos a cumprir em espírito de amor e aprendizado. Os limites e as consequências que estabelecemos devem ser feitos com sabedoria, em harmonia com o evangelho e com a orientação do Espírito Santo. Pode ser útil discutir nossos planos de ação com um consultor de confiança ou outra pessoa responsável. Isso nos ajuda a avaliar nosso pensamento e a estar alerta para qualquer motivo ou consequência que não tenha base em princípios amorosos e verdadeiros. O Senhor vai nos ajudar e amparar ao cumprirmos nossas ações para a segurança da nossa família. Sua influência traz paz a nossa vida e à vida de nossos entes queridos.

  • Por que talvez seja difícil estabelecer limites? Como você pode superar essas dificuldades?

  • De que maneira o papel dos pais em estabelecer limites difere do papel do cônjuge?

Fazer O Que For Possível Para Preservar o Relacionamento

A dor que sentimos como resultado da dependência de nosso ente querido pode parecer insuportável. Podemos nos perguntar: “Por quanto tempo vou aguentar?” Às vezes, a única opção para alívio pode parecer nos separarmos de nossos entes queridos e terminarmos nosso relacionamento com eles. Nesses momentos devemos fazer um esforço especial para preservar nossos relacionamentos.

A santidade do casamento e da família é ensinada repetidas vezes pelos profetas e apóstolos antigos e modernos. O Élder M. Russell Ballard ensinou-nos: “Conclamo os membros da Igreja e os pais, avós e parentes responsáveis de todo o mundo a aderirem a essa grande proclamação, a fazer dela uma bandeira, semelhante ao ‘estandarte da liberdade’ do capitão-chefe Morôni, e a comprometerem-se a viver de acordo com seus preceitos. (…) No mundo de hoje, em que predomina a agressão de Satanás contra a família, os pais devem fazer tudo o que for possível para fortalecer e defender sua família. (“O Mais Importante É o Que É Duradouro”, A Liahona, novembro de 2005, p. 41).

Devemos buscar a orientação do Senhor para nos amparar enquanto nos esforçamos para saber Sua vontade.

  • O que podemos fazer para demonstrar nosso compromisso em nosso relacionamento enquanto mantemos limites claros?

Não Precisamos Tolerar o Comportamento Abusivo de Nossos Entes Queridos

Qualquer abuso praticado por nossos entes queridos é inaceitável. “Abuso é cometer maus-tratos a outras pessoas física, emocional, sexual ou espiritualmente. Pode machucar não apenas o corpo, mas afetar profundamente a mente e o espírito, destruindo a fé e causando confusão, dúvida, desconfiança, culpa e medo” (“Responding to Abuse: Recursos para os Líderes Eclesiásticos”, 1995, p.1). A dependência pode ser uma forma de abuso. Embora peçamos que nosso coração seja cheio de “tolerância e perdão” (“Nossa Humilde Prece Atende”, Hinos, nº. 102), sabemos que o Senhor não espera ou quer que toleremos o comportamento abusivo. É importante que tomemos as medidas necessárias para estar seguros e parar o abuso. Precisamos buscar a ajuda do Pai Celestial, dos líderes da Igreja ou de outras pessoas confiáveis sobre como nos protegermos. Em alguns casos, a separação ou o divórcio pode ser justificável. O Élder Dallin H. Oaks disse: “Sabemos que muitos de vocês são vítimas inocentes — membros cujo ex-cônjuge quebrou diversas vezes convênios sagrados, abandonou suas responsabilidades no casamento ou recusou-se a cumpri-las por um período maior de tempo. Os membros que passaram por esse tipo de ultraje sabem por experiência própria que existem coisas piores que o divórcio. Quando o casamento morre e não há mais esperança de recuperação, é preciso que haja um meio de terminá-lo” (“Divórcio”, A Liahona, maio de 2007). Quando pensamos em separação ou divórcio, podemos buscar o conselho dos líderes da Igreja e de outras pessoas. Entretanto, esta é uma decisão pessoal que tomamos com a orientação do Senhor.

  • Como você pode agir adequadamente com um ente querido que repetidamente fracassa em respeitar os limites que você estabeleceu?

 

Estudo do Evangelho

Em espírito de oração, considere usar os seguintes recursos em seu estudo pessoal.

Morôni 8:16 (“O perfeito amor lança fora todo o medo”)

Doutrina e Convênios 1:31-32 (O Senhor não pode encarar o pecado com o mínimo grau de tolerância, mas Ele nos perdoará se nos arrependermos)

John K. Carmack, “Quando Nossos Filhos Se Desencaminham”, A Liahona, março de 1999, p. 21

Dallin H. Oaks, “Divórcio”, A Liahona, maio de 2007, p. 70

Dallin H. Oaks, “O Amor e a Lei”, A Liahona, novembro de 2009, p. 26

Russell M. Nelson. “Ensinai-nos Tolerância e Amor”, A Liahona, julho de 1994, p. 77

Dieter F. Uchtdorf, “Prosseguir com Paciência”, A Liahona, maio de 2010, p. 56

“Responsabilidades Familiares”, Princípios do Evangelho, 2011, pp. 221–226

“Enfrentar as Dificuldades do Casamento”, Relacionamento Conjugal e Familiar: Manual do Professor, 2001, pp. 18–22

 

Aprendizado e Aplicação Pessoal

As seguintes atividades são para melhorar o aprendizado e a aplicação. Mantenha um diário de pensamentos, sentimentos, ideias e planos para implementar o que aprender. À medida que as necessidades e circunstâncias na vida mudam, a repetição dessas atividades vai fornecer-lhe novas ideias.

  • Leia o discurso do Élder Dallin H. Oaks “O Amor e a Lei” e o discurso do Élder Russell M. Nelson “Ensinai-nos Tolerância e Amor” e procure princípios relativos a estabelecer limites e demonstrar amor. Pense nos limites que você estabeleceu ou planeja estabelecer. Avalie-os no contexto desses princípios do evangelho. Em seu diário, registre seus pensamentos ou ideias para aplicar esses princípios.

  • Considere a possibilidade de conversar com alguém de confiança sobre a sua situação atual, como um líder da Igreja ou alguém com experiência pessoal ou profissional relacionada à situação que você está enfrentando. Aconselhe-se com essa pessoa a respeito de quais limites ou consequências podem ser necessários e justificados. Além disso, busque a orientação do Pai Celestial por meio de oração. Que ações você pode tomar?

  • Leia o discurso do Élder John K. Carmack “Quando Nossos Filhos Se Desencaminham”. Pense em como os pais podem demonstrar amor sem tolerar o pecado. Que princípios ensinados nesse discurso aplicam-se particularmente a sua situação? Elabore um plano de ação com base na inspiração que receber.

  • Considere os princípios encontrados nestes hinos e nas músicas para crianças: “Ouse Ser Bom” (Músicas Para Crianças, p. 80); “O Senhor Deu-me um Templo” (Músicas Para Crianças, p. 73); “Nossa Humilde Prece Atende” (Hinos, nº.102); “Com Amor no Lar” (Hinos, nº. 188); “Faze o Bem” (Hinos, nº. 147).